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terça-feira, 16 de junho de 2009

Arresto e falta de apoios fecham Belgais


O projecto de ensino artístico de Belgais na escola do 1º ciclo da Mata, em Castelo Branco, criado pela pianista Maria João Pires, "vai fechar devido a um arresto de bens e à falta de apoios", disse, esta segunda-feira, à Agência Lusa, Joana Pires, filha da pianista e responsável pelo Centro de Estudo das Artes de Belgais. Após o encerramento da escola e do Coro Infantil, "não deve restar nada do projecto de Belgais iniciado pela minha mãe".

Joana Pires revelou que os subsídios do Ministério da Educação (única fonte de financiamento), bem como o mobiliário e instrumentos da escola "estão arrestados. Parece-nos ser uma acção movida por quatro ex-funcionários", despedidos a meio do ano, e que, de acordo com Joana Pires, discordam das indemnizações que lhes foram pagas. O valor do arresto ronda "os 78 mil euros".

"Despedimos funcionários para não termos que declarar insolvência a meio do ano. Perdemos patrocinadores e donativos e só lhes podíamos pagar o que o Ministério da Educação nos dava. Ficámos sem o resto do dinheiro que recebíamos", fruto da crise financeira, justificou.

A Escola da Mata, perto de Castelo Branco, é frequentada por 40 alunos dos quatro primeiros anos do ensino básico, com os quais são desenvolvidas actividades artísticas e culturais no dia-a-dia.

O Ministério da Educação atribui anualmente 170 mil euros à Associação de Belgais para desenvolver o projecto escolar, referiu. Aquela responsável lamenta a falta de apoio na situação actual da Câmara de Castelo Branco, a cujo presidente pediu "apoio moral e uma garantia bancária para desbloquear o problema, negociada da forma que ele quisesse".

"Mas o presidente foi gelado e disse que não tinha nada a ver com o assunto", descreveu. "Não somos bem-vindos aqui", referiu.

A Lusa tentou contactar o presidente da Câmara de Castelo Branco, mas tal não foi possível. O Ministério da Educação remeteu eventual comentário para mais tarde.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Mirandês: Ministro da Cultura compara falantes da língua aos "loucos" gauleses



Macedo de Cavaleiros, Bragança, 18 Mai (Lusa) - O ministro da Cultura encontrou hoje no pequeno herói gaulês de banda desenhada Astérix um paralelismo para demonstrar as dificuldades do Mirandês, a segunda língua oficial de Portugal, que diz ser falada por "loucos" como os gauleses.

As aventuras do pequeno gaulês foram dos principais veículos de promoção da "lhengua" mirandesa, com dois volumes já traduzidos.

Aquando da primeira tradução, alguns mirandeses estabeleceram o paralelismo de resistência entre a pequena aldeia gaulesa imaginária e os que insistem em defender a língua minoritária.

O ministro José António Pinto Ribeiro recuperou hoje o paralelismo para falar das dificuldades que esperam a língua Mirandesa.

Tal como nas histórias do Astérix, onde "há uns loucos gauleses que viviam num aldeia" e resistiam à invasão dos romanos cá "também há uns loucos portugueses que vivem em Miranda do Douro e falam outra língua".

Mas são poucos, confinados a um território a Norte junto à fronteira com Espanha, e ao contrário das vitórias dos gauleses, o ministro antevê que "vai ser muito difícil fazer a defesa das línguas minoritárias".

"Nós temos de perceber que é muito difícil assegurar e estimular a expansão e o aprofundamento da língua Mirandesa a partir de Miranda do Douro", afirmou, considerando que "cada vez mais as línguas que vão ser defendidas são as que têm atrás de si um grande número de falantes", como é o caso do português.

O ministro da Cultura respondeu assim ao receio que lhe manifestou hoje o presidente da Câmara de Miranda do Douro, Manuel Rodrigo.

O autarca social-democrata teme que a língua Mirandesa se transforme de uma língua falada, dos afectos, da casa, do trabalho e das relações, numa língua erudita escrita.

Apesar das dificuldades que apontou, o ministro prometeu que fará o que estiver ao seu alcance "conjuntamente com a Câmara Municipal, as populações locais e com os eruditos que trabalham aquilo, e já há muitos em Lisboa".

"Há mesmo uns que traduzem livros", disse o ministro referindo-se à obra de Luís de Camões, "Os Lusíadas", editada em Mirandês e à própria história desta língua minoritária, as mais recentes publicações.

HFI.

Lusa/fim

domingo, 17 de maio de 2009

Exploração de actores!! Carta-denúncia



"Caros colegas artistas,

Somos conhecidos pela nossa falta de união, mas é uma obrigação chamar a vossa atenção para a FAMOUS PRODUÇÕES - uma produtora que não paga aos seus actores!

É responsável por espectáculos musicais que muitos conhecem: FAME, HIGH SCHOOL MUSICAL 1 e 2, RENT, PETER PAN,LIVRO DA SELVA em salas como o Coliseu de Lisboa, Coliseu do Porto, Tivoli, etc.

O que é INADMISSÍVEL é que o dono desta produtora - FRANCISCO SANTOS - explora os artistas (mais de 30 actores, cantores e bailarinos).

Mesmo com contrato assinado, não cumpre as obrigações laborais e despede os actores por SMS.

Referimo-nos a pessoas como David Ripado, Patrícia Candoso, FF, Sara Campina,Andrea Soares etc., que estão a trabalhar desde Março, sem receber 1 cêntimo!!

E muitos outros, que estão HÁ ANOS à espera do último salário, que nunca chegou.

Produtoras como a FAMOUS não deviam existir no nosso meio cultural.

Fica aqui feito o alerta: nunca trabalhem com o sr. FRANCISCO SANTOS. Ou vão arrepender-se...

Os artistas actualmente lesados estão a organizar formas de protesto, que passam pela intervenção/interrupção dos espectáculos ao vivo.

O caso será, igualmente, denunciado nos órgãos de comunicação social e ainda, acreditando na Justiça, serão abertos processos em tribunal para que o sr. FRANCISCO SANTOS pague o que prometeu aos trabalhadores.

Vivemos e trabalhamos a recibos verdes, mas não somos menos dignos por isso.

POR FAVOR, divulguem este mail!

Provavelmente, já passaram por situações parecidas com esta.

OBRIGADO


Enviado por e-mail por um actor.

Foi pedido à Famous Produções, lda um contraditório, que o (mono)Cultura publicará. Aguardemos.


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Moçambicanos com complexo de inferioridade cultural?

Maputo, 14 Mai (Lusa) - O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, exortou hoje à valorização da cultura moçambicana e atribuiu responsabilidades à dominação estrangeira por supostamente inculcar nos moçambicanos o complexo de inferioridade sobre a sua cultura.

"Ser promotor e guardião da cultura moçambicana não é e nem deve ser sinónimo de uma vida rodeada de pobreza, nas suas diferentes manifestações", disse Armando Guebuza, na abertura da segunda conferência nacional sobre a Cultura, hoje em Maputo.

O chefe de Estado moçambicano afirmou que a dominação estrangeira não se apropriou apenas dos recursos nacionais, mas das múltiplas riquezas existentes no país, inculcando o complexo de inferioridade sobre a cultura moçambicana.

"Ela (a dominação portuguesa) procurou inculcar-nos o complexo de inferioridade sobre a nossa cultura, incluindo sobre os nossos mitos, lendas, instituições, práticas e tradições culturais", tendo para o efeito concebido políticas, engendrado estratégias e criado condições para se propalar a ideia de "superioridade da cultura do colonizador".

E neste processo, disse, "as mentes foram escolhidas como o principal campo de batalha" e "os que tinham acesso à escola, uma minoria evidentemente, não só não aprendiam a sua história, geografia e línguas como também se lhes induzia a atitude de afastamento do seu povo como forma de exibição dos seus conhecimentos e da sua erudição".

"As mentes da grande maioria, que não tinha acesso à escola, eram alcançadas através da onomástica portuguesa, isto é, o processo de atribuição de nomes às pessoas e localidades", disse Armando Guebuza.

O Presidente da República justificou: "mesmo quando excluídos do sistema de educação esses nossos irmãos tinham um nome não africano, residiam numa rua ou vila com nome estrangeiro ou pagavam imposto nessa rua ou vila".

Armando Guebuza afirmou terem sido estes os motivos que levaram à guerra de "libertação da mente do moçambicano".

"Foi fazendo uma análise correcta destas políticas e estratégias de dominação estrangeira que concluímos que o nosso movimento nacionalista deveria assumir a libertação da mente do moçambicano, o produtor e, ao mesmo tempo, produto da nossa cultura, como uma grande prioridade", disse.

"Sabíamos que desse processo de libertação das mentes brotaria a nossa auto-estima, emergiria em cada um de nós a consciência de moçambicanidade, estimularia o orgulho pela riqueza da nossa diversidade cultural e configuraria a pátria moçambicana", afirmou.

Discursando hoje sobre a "Construção da moçambicanidade através das artes e cultura", no decurso da segunda conferência nacional sobre a cultura, Marcelino dos Santos, histórico da FRELIMO, partido no poder em Moçambique, afirmou que "o ódio ao crime é cultura dos povos que buscam paz, liberdade e desenvolvimento", referindo-se à luta contra a imposição cultural portuguesa.

Maputo acolhe de hoje até sábado a segunda conferência nacional sobre a cultura, que pretende encontrar respostas aos vários desafios (actuais e futuros) da cultura moçambicana e identificar formas de preservação e promoção dos valores nacionais.

MMT.

Lusa/Fim


quarta-feira, 13 de maio de 2009

«Portugal deve livrar-se do ministro da Cultura»


Bob Gedolf está solidário com os artistas portugueses na luta contra a posição de bloqueio do governo em relação aos direitos dos artistas

Um grupo de músicos portugueses apelaram terça-feira ao Ministério da Cultura para que altere a sua posição junto do Conselho de Ministros Europeu e aprove a legislação que permite a extensão do prazo de protecção dos direitos dos artistas.

No dia 23 de Abril foi aprovada na Comissão Europeia, com 377 votos a favor, 178 contra e 37 abstenções, uma directiva que prevê a extensão do prazo de protecção dos artistas intérpretes e executantes de 50 para 70 anos.  O Ministério da Cultura anunciou no dia 5 de Maio que não vai apoiar esta directiva, fazendo parte de uma minoria de seis países europeus que bloqueia a aprovação desta lei.

João Gil, Da Weasel, Luís Represas, o Maestro Vitorino d`Almeida, Mariza, Miguel Ângelo, Toy e Camané, entre outros, juntaram-se terça-feira no Cabaret Maxime, em Lisboa, para demonstrar a sua oposição ao governo nesta matéria. Durante o manifesto foram apresentados depoimentos gravados em vídeo de Bjorn Ulvaes, dos ABBA, Jamie Collum, Adamo, e Bob Gedolf.

Chamado a fazer o discurso de abertura, o Maestro Vitorino d`Almeida contou que lhe era difícil «assumir uma posição crítica face a uma coisa que não conhece», referindo-se ao facto de o ministro da Cultura não ter dado nenhum razão para a posição tomada.

«Eu tinha dúvidas que o ministro existia», criticou.

Carlos Nobre, vocalista dos Da Weasel, mais conhecido por Pacman, leu uma declaração de Carlos do Carmo, em que o fadista exortava a tutela a aprovar a directiva europeia, uma vez que «todos sairão vencedores: o público, os velhos artistas e as gravadoras detentoras das suas obras, que se obrigam a protegê-las».

O cantor Pedro Barroso referiu a solidariedade existente entre os artistas e Eduardo Simões, da Associação Fonográfica Portuguesa, não entende a posição de um «ministro [que está] contra a Cultura».

No depoimento que enviou para esta acção de protesto, Sir Bob Gedolf afirmou que «Portugal deve proteger os seus artistas ou então deve livrar-se do ministro da Cultura».

Cerca de 38 mil artistas europeus e 328 portugueses assinaram uma petição a favor da aprovação da directiva europeia.

vê o video aqui

(IOL on-line 14/05/2009)


segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sede da Companhia de Dança de Lisboa pode ser transferida para Vigo


Grupo deseja voltar ao Palácio dos Marqueses de Tancos
Sede da Companhia de Dança de Lisboa pode ser transferida para Vigo 
10.05.2009 - 18h35 Lusa
O director da Companhia de Dança de Lisboa admitiu hoje que a sede da estrutura pode ser transferida para a Galiza, eventualmente Vigo, se a Câmara de Lisboa não permitir o regresso ao Palácio dos Marqueses de Tancos.

"A instalação da nossa sede na Galiza, concretamente em Vigo, é uma hipótese que equacionamos completamente", disse o director da Companhia de Dança de Lisboa (CDL). 

José Manuel Oliveira garantiu que já houve "contactos informais" no sentido da instalação da sede da CDL naquela região autónoma de Espanha, contactos que se poderão tornar "mais formais" caso das próximas autárquicas não resultem mudanças na liderança da Câmara de Lisboa. 

"Os habitantes de Vigo costumam dizer 'somos de Vigo, capital Lisboa', o que prova a relação muito especial que há entre as duas cidades", acrescentou. "A CDL não tem fronteiras. A nossa sede pode ser em qualquer lugar, o nosso trabalho é importante onde formos bem recebidos, e na Galiza temos sido muito bem recebidos", afirmou. 

No entanto, o responsável ressalvou que a CDL "ainda não desistiu de voltar" ao Palácio dos Marqueses de Tancos, onde esteve durante 20 anos, até ser despejada, em Novembro de 2007, pela Câmara de Lisboa. 

Nesse dia, e em cumprimento de uma ordem do executivo camarário, a Polícia Municipal de Lisboa procedeu ao despejo do espólio da Companhia de Dança de Lisboa instalada no Palácio dos Marqueses de Tancos, na Rua da Costa do Castelo. O despejo foi justificado pelo "perigo iminente de uma catástrofe", dado o mau estado em que se encontravam as instalações à guarda da CDL. 

O espaço ocupado pela CDL no Palácio dos Marqueses de Tancos, edifício do século XVI que sobreviveu ao terramoto de 1755, servia também para habitação de sete bailarinos e um guarda, que foram igualmente desalojados. José Manuel Oliveira classifica essa acção de despejo como "uma espécie de assalto nazi", mas manifestou-se esperançado na reversão da situação, para que a CDL possa voltar para lá. 

"Gastámos lá mais de 400 mil euros em obras para travar a degradação, tornar o espaço habitável e dignificar o palácio, temos protocolo de cedência do imóvel válido até 2013, penso que temos direito a um espaço que é nosso", referiu.




(in_Lusa 12/05/2009)

domingo, 3 de maio de 2009

Hipermercados proíbem novamente a obra de Ubaldo Ribeiro






Auchan proíbe venda de "A Casa dos Budas Ditosos"
O Grupo Auchan (Jumbo) decidiu proibir, pela segunda vez em dez anos, a venda do romance "A Casa dos Budas Ditosos", de João Ubaldo Ribeiro, nos seus hipermercados. O fundamento desta medida é o carácter pretensamente pornográfico da obra, repudiado pelo seu autor.

“Amigo Nelson, lá vamos nós outra vez”, comenta o escritor brasileiro numa mensagem enviada ao seu editor português, Nelson de Matos.

“Não há razão nenhuma para essa censura”, diz Ubaldo Ribeiro. “Imagino que eles também não vendam Henry Miller ou outros autores desse tipo”.

Pedindo ao editor que “não se incomode nem se aborreça”, o escritor declara-se “chateado” com “este acto censório”, que qualifica como “irónico” e quase “suspeito”: “Parece uma jogada sua de "marketing" para poder aumentar as vendas do livro, coisa que sucedeu da primeira vez”.

João Ubaldo Ribeiro lembra que a obra foi adoptada em exames de acesso por universidades brasileiras e francesas. Refere-se ao êxito da edição do livro na Alemanha, país onde é leitura recomendada aos diplomatas que são destacados para o Brasil.

O escritor afirma ainda que “está a ficar velho de mais” para se “incomodar com estas coisas”. E assegura, a concluir: “Por nada disto é afectado o meu amor por Portugal. Posso dizer a esses portugueses que, por mais que eles queiram o contrário, Portugal também é meu”.

A primeira proibição de "A Casa dos Budas Ditosos" foi há dez anos, quando Nelson de Matos era editor das Publicações Dom Quixote. Uma nova edição, lançada agora pelas Edições Nelson de Matos, volta a ter a mesma sorte. “O Grupo Auchan não vende produtos do foro pornográfico. O referido livro enquadra-se neste conjunto de artigos”, explicou na semana passada ao semanário Expresso a agência de comunicação que representa o grupo. Uma segunda obra do mesmo escritor, "Viva o Povo Brasileiro", está também retida para apreciação.

“Tudo isto é lamentável”, disse Nelson de Matos ao PÚBLICO. “Considerar o livro pornográfico é um acto de gaguez de espírito”. O editor lembra que João Ubaldo Ribeiro foi galardoado em 2008 com o Prémio Camões, o mais importante em língua portuguesa, pelo conjunto da sua obra. E que, este ano, o Brasil é o país convidado da Feira do Livro de Lisboa. Por isso, não tem dúvidas em considerar “um acto inamistoso” a proibição de livre circulação da obra por parte do Grupo Auchan:

“Indigno-me contra isso, mesmo que a empresa deixe de adquirir os meus livros.”

As manifestações de apoio e solidariedade continuam a chegar, tanto da parte de figuras públicas como de gente anónima, diz o editor. Muitas das reacções vêm do Brasil, onde o caso teve várias referências nos media.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Tesouro de Baleizão foi descoberto há quatro anos e pouco se sabe sobre ele

Os especialistas prometidos nunca chegaram.

Em Setembro de 2005, o país foi surpreendido com a descoberta de um valioso tesouro na freguesia alentejana de Baleizão. Um agricultor e um pedreiro, residentes locais e habituais prospectores de achados arqueológicos, tinham encontrado 31 artefactos ou fragmentos em ouro e bronze datados de há três mil anos, na Idade do Bronze. Desde então, o "Tesouro de Baleizão" entrou no limbo, apesar do Instituto do Património Arqueológico (IPA), entretanto extinto, ter garantido, nesse mesmo ano, ao presidente da Câmara de Beja, Francisco Santos, que enviaria rapidamente para o local da descoberta quatro arqueólogos, para fazerem a contextualização do tesouro.
"Ainda hoje estou à espera que eles apareçam"
, critica o autarca, a quem a população de Baleizão já pediu esclarecimentos e propôs a instalação de um museu na freguesia para receber o "tesouro" e outros achados arqueológicos que entretanto várias pessoas vão recolhendo e mantendo guardados nas suas casas.

A surpreendente descoberta - revelada pelo PÚBLICO (edição de 15/04/05) - foi classificada na circunstância por Raquel Vilaça, professora da Universidade de Coimbra, como "um conjunto notável", sobretudo por as peças terem sido encontradas "todas juntas, num espaço circunscrito". Num documento que elaborou com a arqueóloga Conceição Lopes, com o título O Tesouro de Baleizão, descreve os achados como "um excepcional depósito bimetálico muito raro na Europa. O valor do espólio reside na colecção toda e nas circunstâncias que o revelaram", de tal forma que o achado disperso "nunca teria existido", concluem as investigadoras.

Intervenção do tribunal
Ainda o pó da escavação que conduziu à valiosa descoberta não tinha assentado, instalou-se a polémica à volta da aquisição do tesouro pelo Museu Nacional de Arqueologia, por 17.400 euros. Esgrimiram-se argumentos pró e contra e o problema acabou em tribunal, através de uma acção interposta pelo proprietário do terreno onde foi descoberto o tesouro, que reclamou parte do valor do espólio descoberto, uma exigência que acabou por não ter acolhimento na instância judicial, que mandou arquivar o processo.

No local onde foi descoberto o tesouro, prevalece apenas um quadrado de terra escavado, com dois metros de lado. José Ambrósio, morador em Baleizão, questiona o modo como foi encontrado o pote de barro com o tesouro no alto de uma pequena elevação de terreno rodeada de olival. São visíveis pedaços de material em argila, provavelmente restos de telhas ou de tijolos, a cerca de dois quilómetros do troço mais estreito do rio Guadiana.

"Para aqui está prevista a plantação de um olival intensivo", alerta José Ambrósio, propósito que é confirmado por José Castelo Branco, que adquiriu o terreno, com cerca de 200 hectares, há um ano. Do famoso achado arqueológico, considerado pelas peritas como "uma das melhores colecções" do Museu Nacional de Arqueologia, conhece pouco, e nem sabia que tinha sido descoberto no local onde se habituou a ver da casa onde vive "veículos todo-o-terreno a cirandar".
Colocado perante a dimensão e o valor do espólio descoberto, o empresário diz estar disposto a rever o projecto de plantação de olival. "Temos interesse em preservar o espaço."
Reagindo à situação de impasse na pesquisa arqueológica do local onde foi identificado o tesouro, o vice--presidente do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), João Pedro da Cunha Ribeiro, reconhece que o processo foi "pouco agradável" para a arqueologia portuguesa, frisando que a instituição de que é um dos responsáveis "não deu continuidade aos compromissos assumidos com a Câmara Municipal de Beja".

Apesar dos contratempos, considera encerrada "toda a conflitualidade" que acompanhou a descoberta, cujo valor científico considera "inquestionável", mas frisando que a solução para a salvaguarda do património "passa por encontrar com a Câmara de Beja a melhor forma de o acautelar", conclui o vice-presidente do Igespar.
(in_Público 07/04/2009)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Braga PSP apreende livros por considerar capas "pornográficas"

Alguns exemplares de um livro sobre pintura foram hoje apreendidos numa feira de saldo, em Braga. Justificação: o quadro reproduzido na capa, do pintor Gustave Courbet, é pornográfico.

A PSP de Braga apreendeu, hoje numa feira de livros de saldo, alguns exemplares de um livro sobre pintura considerando que o quadro reproduzido na capa, do pintor Gustave Courbet, é pornográfico, disse fonte da empresa livreira.
António Lopes adiantou que os três agentes policiais elaboraram um auto no qual afirmam terem apreendido os livros por terem imagens pornográficas expostas publicamente.
O quadro do pintor oitocentista - tido como fundador do realismo em pintura - expõe as coxas e o sexo de uma mulher, sendo, por isso, a sua obra mais conhecida.
Pintado em 1866, está exposto no Museu D'Orsay em Paris.
Em declarações à Lusa, António Lopes manifestou-se "indignado" com a atitude da PSP: "isto é uma vergonha, um atentado à liberdade", afirmou.

O empresário é um dos sócios da distribuidora 'Inovação à Leitura', de Braga, organizadora da Feira do Livro em Saldo e Últimas Edições, que está a decorrer, até ao dia 8 de Março, na Praça da República - vulgo Arcada - no centro de Braga.
Segundo os especialistas, Gustave Courbet era já um pintor "conhecido em França pela sua destreza técnica mas sobretudo pela sua atitude crítica e corrosiva em relação à sociedade burguesa, que não perdia ocasião de afrontar".
Courbet, um socialista convicto, ao representar frontalmente as coxas e o sexo de uma mulher, com o quadro "A Origem do Mundo" abalou profundamente o meio artístico, tendo a sua exposição pública sido proibida na época.
(in_JN/Lusa 24/02/2009)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

ICAM em busca de conteúdos...


(in_Blog Associação Portuguesa de Realizadores 09/02/2009)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Direcção Regional da Cultura do Alentejo não está presente.

Direcção Regional da Cultura do Alentejo ausente na entrega do Prémio Vilalva à Diocese de Beja

Causou estranheza entre os representantes de instituições regionais e desconcentradas da administração central (que ontem, em Beja, marcaram presença na cerimónia de entrega do Prémio Vasco Vilalva ao Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja (DPHADB)) que a Direcção Regional de Cultura do Alentejo não tivesse enviado representante.  José António Falcão, presidente do Departamento do Património da Diocese de Beja, não quis comentar.
O presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Rui Vilar, que se deslocou à pousada de S. Francisco para fazer a entrega do Prémio Vilalva, no valor de 50 mil euros, atribuído por esta instituição, enalteceu o trabalho de salvaguarda patrimonial que está a ser realizado pela Diocese de Beja, "a mais pobre e desertificada do país", que apontou como "exemplo que outros deviam replicar no país".
(in_publico 04/02/2009)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

1 Ano: Parabéns, Sr. Ministro.

Entidades culturais e partidos juntam-se em coro de protestos contra ministro da Cultura.

Falta de diálogo, falta de políticas para os vários sectores e desinvestimento são algumas das críticas que várias entidades culturais e partidos políticos lançam ao ministro da Cultura José Pinto Ribeiro, quando se completa o primeiro ano de actividade à frente da tutela.

O presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), Rui Beja, lamenta a "ausência de contacto" com o ministro a quem solicitou uma audiência em Agosto. "Solicitámos um reunião a 1 de Agosto ao senhor ministro, a 13 responderam-nos que reuniríamos logo que possível, e até hoje", disse Rui Beja.

João Neto, presidente da Associação Portuguesa de Museologia (APOM) considerou também que "continua a faltar uma política estruturada" para o sector dos museus em Portugal, apesar do empenho demonstrado no último ano pelo actual ministro da Cultura.

"Está-se a caminhar para algo, mas o grande problema continua a ser a ausência de uma política estrutural para esta área", sublinhou o presidente da APOM, que aponta ainda "falta de bom senso, diálogo e cooperação com as instituições que poderiam apoiar o Ministério da Cultura nesta matéria".

Sobre as medidas tomadas ao longo de um ano para o sector dos museus - que tem sofrido na última década um progressivo agravamento das dificuldades orçamentais e recursos humanos - João Neto define-as como "analgésicos".

"Há medicamentos para atenuar a dor e há medicamentos para curar a doença. É destes últimos que necessita a museologia em Portugal", apelou.
Defendeu um olhar mais aprofundado da tutela para a globalidade dos museus do país - incluindo os municipais e privados - e "não apenas os nacionais".

Questionado sobre a actividade desenvolvida pela Rede Portuguesa de Museus (RPM), entidade tutelada pelo MC que se dedica à credenciação e qualificação de todos os museus do país e que conta actualmente com cerca de 120 museus, o responsável apontou que "continua com dificuldades em aplicar as normas adequadas".

"A Rede Portuguesa dos Museus não deveria estar só nas mãos do Estado - defendeu - mas sim com uma administração tripartida que passe pelo Ministério da Cultura, a APOM e o ICOM" (International Council of Museums), organização não-governamental que possui uma representação em Portugal.

A APOM advoga ainda que parte do dinheiro dos jogos (como o Euromilhões) deveria ser "aplicada em bons projectos que incidam na área do património nacional".

Por seu lado, a Associação Portuguesa de Realizadores (APR) criticou o ministro da Cultura por não ter apresentado uma política para o cinema português ao fim de um ano de mandato. "Não houve medidas novas que instituíssem um sentido de renovação no sector", disse o vice-presidente da associação, o realizador Fernando Vendrell. Para aquela associação de realizadores, no último ano assistiu-se a uma "descaracterização do cinema e a uma invasão da televisão nos territórios do cinema" e ainda a uma "inconsequência na atribuição dos financiamentos".

"Com o mesmo dinheiro tentou fazer as mesmas ou até mais obras e isso reflectiu-se também nas condições de trabalho", lamentou o realizador, sublinhando que a associação entregou a Pinto Ribeiro um documento com propostas para o sector e do qual não obtiveram ainda respostas.

"O ministro não está dialogante e não faz parte da solução, mas do problema e a simpatia que temos pela pessoa não tem correspondência com uma dinâmica política para o sector", sublinhou.

O deputado comunista João Oliveira lamentou o desinvestimento do ministério da Cultura ao longo do último ano e o consequente aumento das dificuldades sentidas no sector. João Oliveira disse que "a redução das verbas para a Cultura inscritas no Orçamento de Estado para 2009 demonstrou um claro desinvestimento no sector", dando como exemplo um "retrocesso no apoio às artes", referindo-se à revisão do regulamento da Direcção-Geral das Artes, e criticou ainda o apoio a "projectos megalómanos, de grande envergadura", dando como exemplo a Colecção Berardo.

O deputado referiu ainda a "situação preocupante em que se encontra o património" e a possibilidade do cenário se agravar com a legislação relativa aos bens patrimoniais de domínio público.

Vasco Graça Moura, eurodeputado do PSD, qualificou o primeiro ano de José António Pinto Ribeiro à frente da pasta da cultura com nota 0,0.

A vice-presidente do CDS-PP Teresa Caeiro também fez "um balanço claramente negativo" da actuação de José António Pinto Ribeiro e considerou que a situação nesta área não melhorou. Teresa Caeiro lembrou que quando tomou posse o ministro disse que "iria fazer mais e melhor com menos recursos". "Ora verificamos que não fez mais nem melhor e teve os mesmos recursos", considerou.

A ex-secretária de Estado da Artes e Espectáculos do Governo de Santana Lopes apontou alguns casos que lhe merecem críticas: "Estamos com atrasos no apoio às artes, estamos perante uma indefinição no funcionamento da OPART (estrutura que gere o Teatro Nacional de São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado). Convém lembrar que o próprio ministro considerou que era anacrónica esta fusão de estruturas, até agora nem fez uma avaliação nem alterou o que quer que fosse", criticou.

A deputada indicou que também foram deixados cair projectos como o pólo em Portugal do Museu Hermitage (depois de um investimento de quase 2 milhões de euros numa exposição inicial) e o Museu do Mar da Língua.

Sobre este último, a dirigente do CDS-PP referiu que "numa primeira fase o ministro disse que teria de ser realizado até ao fim de 2008 para não perder verbas, depois quis fazer este museu na estação do Rossio, depois disse que propunha um restauro e renovação de todo o edifício do Museu de Arte Popular para aí instalar o Museu do Mar da Língua e finalmente desistiu do projecto".

Na área do património, Teresa Caeiro destacou que há cerca de 3 mil obras classificadas em todo o país, muitas das quais são património mundial classificado pela UNESCO que se encontram em situação de risco.

Mas não só a oposição se levanta nas críticas à gestão da cultura no último ano. O poeta e deputado socialista Manuel Alegre lamentou que o Ministério da Cultura (MC) continue a ter "uma dotação orçamental baixíssima", que se traduz, entre outros aspectos, "num grande desprezo pelo património".

"Não sou conta o mecenato, mas é uma responsabilidade fundamental do Estado recuperar e salvaguardar o património nacional, que é a pegada histórica de um povo", salientou.

"A cultura não tem sido prioridade do Governo, daí os baixíssimos orçamentos", conclui Manuel Alegre, alertando para a degradação de alguns dos sectores mais importantes deste sector, como o património arquitectónico e os museus.

"Não percebo como o Estado tem tantos milhões para salvar um banco e não salva o património nacional do país. Parece que o património material está hoje acima do património histórico".
(in_Lusa 30/02/2009)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Escola de Artes sem dinheiro para salários



A Escola Universitária das Artes de Coimbra (EUAC) tem em falta o pagamento dos salários de Dezembro, por falta de dinheiro, situação que o director justifica com atrasos na transferência de verbas do Estado.

«Não é uma questão económica, mas de tesouraria, de atrasos na transferência das verbas do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN)», disse hoje Fernando Freire à Agência Lusa.

O responsável afirma que a situação afecta «todas as escolas profissionais, algumas com elevadíssimas quantias em atraso» e resulta do modelo de financiamento, assente na transferência de verbas dos quadros comunitários de apoios.

«É um modelo de financiamento escandaloso, toda a gente elogia as escolas profissionais, mas ninguém está preocupado com elas», criticou.

Além do atraso nos ordenados, a situação obrigou ao «corte de todas as visitas de estudo» e está também a «afectar alunos, ao nível do recebimento dos subsídios de alojamento, transporte e alimentação», disse.

A escola, afirmou, está a tentar «renegociar créditos com os bancos, para fazer face a situações dramáticas de alguns funcionários e professores».
(in_Diário Digital / Lusa 28/01/09)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Ministério da Cultura paga prejuízos de 12 galerias portuguesas

Ministério da Cultura paga prejuízos de 12 galerias portuguesas na ARCOmadrid 2009
15.01.2009, Joana Amaral Cardoso
Associação de Galerias acha que "pretenso subsídio" "é melhor do que nada". Três galerias mantêm ausência
O Ministério da Cultura divulgou ontem que vai apoiar 15 galerias portuguesas na ARCOmadrid 2009, mas sob a forma de ressarcimento, se provarem ter tido prejuízos. A representação portuguesa estará garantida, mas apenas 12 das 15 galerias portuguesas aceites na pré-selecção da feira de arte contemporânea devem estar em Madrid, disse ao PÚBLICO Pedro Cera, presidente da direcção da Associação Portuguesa de Galerias de Arte (APGA).
A APGA considera que o modelo de apoio "é melhor do que nada", como disse Pedro Cera à Lusa. Mas, a título pessoal, Pedro Cera considera que faltou "criatividade" à tutela, visto que fornece apoio ao negócio, mas não à internacionalização dos artistas portugueses, nem à função divulgadora das galerias. "Não acho que o Ministério da Cultura esteja a fazer o seu papel para assegurar a representatividade da cultura portuguesa no estrangeiro", disse ao PÚBLICO.
A retracção do mercado em tempo de crise, mas também o vazio que desde 2007 existe nos apoios à internacionalização da arte portuguesa (até aí ao abrigo de um acordo tripartido do antigo Instituto das Artes, Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento) levaram a APGA a pedir apoios à tutela para garantir a representação portuguesa na ARCO. A tutela revelou ontem, em comunicado, que vai atribuir um máximo de oito mil euros por stand/galeria para as galerias que tenham stand próprio inscrito no programa geral da feira (13 galerias) e um máximo de 4500 euros por stand/galeria para aquelas que estejam integradas no Programa ARCO 40 (três galerias).
Os apoios em causa serão atribuídos às galerias que "façam prova de ter tido prejuízo nessa participação", sob a forma de ressarcimento "após a apresentação das respectivas contas". "Nunca vi um pretenso subsídio apresentado desta maneira", disse Pedro Cera ao PÚBLICO, depois de ter classificado o apoio, em declarações à Lusa, como "uma espécie de seguro de risco dentro da actividade comercial". E considera ser difícil avaliar o que são "prejuízos" numa actividade que pode fazer-se muito de contactos, sobretudo numa feira que tem funcionado como a principal plataforma de internacionalização da arte portuguesa. O preço mínimo para um stand é de 15 mil euros. Os gastos de uma galeria podem oscilar entre os 25 e os 30 mil euros.
Enquanto presidente da APGA, que representa 41 galerias, Pedro Cera tem indicações de que serão 12 as galerias portuguesas a levar obras de cerca de 90 artistas a Madrid. Ficam de fora a as que já tinham anunciado a sua desistência: Vera Cortês, Lisboa20 e Pedro Cera. A Galeria Pedro Cera, explica o seu responsável, não estará na feira de arte contemporânea madrilena "por um conjunto de factores", embora se faça representar no programa de cinema.
"Pessoalmente, não gosto do modelo" de apoio encontrado pela tutela, disse ao PÚBLICO. "Não pedi apoio ao Ministério da Cultura para suportar a minha actividade económica, mas para suportar algo de que julgo que o ministério também deve fazer encargo: temos uma dupla função, comercial e divulgadora dos jovens artistas portugueses". "O Ministério da Cultura prontificou-se a apoiar os nossos negócios", constatou, e não contemplou a missão de divulgação das galerias na ARCO, que decorre entre 11 e 16 de Fevereiro.
8000 euros é o valor máximo por galeria/stand que o Governo socialista prevê gastar por entidade na ARCOmadrid09
(in_publico 15/01/09)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Ministério da Cultura cobre prejuízos das galerias??













O Ministério da Cultura (MC) vai apoiar as galerias portuguesas que participarem na Feira ARCO de Madrid 2009 até um montante máximo de oito mil euros, desde que «façam prova de ter tido prejuízo nessa participação».
De acordo com uma nota de imprensa hoje divulgada, esta decisão surge na sequência do pedido de apoio formulado pela Associação Portuguesa de Galerias de Arte (APGA) para as 15 galerias portuguesas seleccionadas para estarem presentes no certame este ano.

«Considerando a situação do mercado, e a necessidade de sustentar a presença portuguesa na Feira ARCOmadrid 2009 como rede de apoio à internacionalização das artes plásticas de artistas portugueses, o Ministério da Cultura disponibilizou-se a apoiar as galerias» que tenham espaço próprio no certame, desde que comprovem ter tido prejuízo.

Ainda de acordo com o comunicado, o apoio do MC ao prejuízo terá um limite máximo de 8.000 euros por espaço/galeria, às 12 galerias inscritas no Programa Geral, e de 4.500 euros por espaço/galeria às três galerias inscritas no Programa ARCO 40.

As galerias têm que «fazer prova de ter tido prejuízo nessa participação», e receberão os apoios equivalentes aos prejuízos até aos montantes máximos estipulados nas referidas modalidades «num prazo de não menos de 15 e não mais de 45 dias após a apresentação das respectivas contas».

O MC acrescenta que «todos os apoios concedidos e a sua fundamentação serão publicados no site do Ministério da Cultura» - www.portaldacultura.gov.pt.

Conseguir mais apoios para a internacionalização dos artistas portugueses era um dos principais objectivos da nova direcção da APGA, eleita este ano, após, em 2007, ter terminado o apoio tripartido de três entidades: o antigo Instituto das Artes, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento.
(in_JN 14/01/09)

sábado, 10 de janeiro de 2009

A culpa é do Totobola...

A Ópera no Porto vitima das receitas do jogo.
Descida das verbas do Fundo de Fomento Cultural ditou decisão.

A quebra das receitas do Fundo de Fomento Cultural foi o real motivo do corte no subsídio para a produção de ópera no Porto. A esperança terá voltado esta sexta-feira, após encontro do primeiro-ministro com responsável máximo do Coliseu.

Mais do que a necessidade de centralizar na Casa da Música (CdM) o investimento do Estado na promoção musical no Porto - argumento invocado pelo ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro -, foi mesmo a descida acentuada dos dinheiros do jogo social, que financiam o Fundo de Fomento Cultural, o motivo pelo qual o Ministério da Cultura (MC) resolveu não prolongar o protocolo para a produção operática no Porto, em vigor há uma década.

Recorde-se que 2,2% do valor dos resultados líquidos de exploração dos jogos sociais (Totoloto, Totobola, Lotarias e Euromilhões) é atribuído ao MC, que, por sua vez, encaminha as verbas para os beneficiários do Fundo.

A deslocação, ontem ao final tarde, do primeiro-ministro ao Porto não serviu apenas para o anúncio de um novo pacote de apoios às PME, desta vez no âmbito dos seguros. No encontro, José António Barros, presidente da Associação Empresarial de Portugal que lidera os destinos dos 'Amigos do Coliseu do Porto', transmitiu informalmente ao chefe do Governo o desagrado pelas recentes afirmações do ministro da Cultura e obteve de José Sócrates a garantia de um esclarecimento rápido da situação.

Mesmo com o evidente azedar de relações com o MC, o presidente dos "Amigos do Coliseu" não descarta um entendimento mal haja uma inflexão na posição assumida publicamente pelo ministro. "O que nos interessa é retomar a ópera no Coliseu com a maior brevidade possível", adiantou.

Acusado pela própria bancada socialista de "total desconhecimento em relação à actividade cultural do Porto" por ter insinuado a escassa utilização do Coliseu da cidade, Pinto Ribeiro vai ser confrontado, já na próxima semana, na Assembleia da República, com um requerimento a apresentar pelo deputado comunista Jorge Machado.

Contactado, também o vereador de Cultura da Câmara do Porto optou por não pronunciar-se sobre o tema.
(in_JN 10/01/2009)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Portugal deixa morrer Património

Este video disponibilizado pelo 'Expresso' mostra os monumentos mais emblemáticos do país. A degradação é a nota dominante. Não há dinheiro para reabilitar o património mas é urgente travar o avançar dos seus problemas estruturais.

Se não se travar o avançar da degradação do património, pode ruir a memória histórica da nação. O Convento de Cristo, em Tomar, Património da Humanidade, a Sé de Évora, abrangida também pela classificação da UNESCO relativa ao Centro Histórico da capital alentejana, e a Sé de Lisboa exibem marcas profundas de deterioração.
(in_expresso 09/01/2008)

José António Pinto Ribeiro explica-se no Parlamento.

Aprovada audição do ministro da Cultura
O Parlamento aprovou esta quarta-feira, por unanimidade, na comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura, uma audição do ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, solicitada pelo CDS-PP, para o governante prestar esclarecimentos sobre alegados “compromissos não cumpridos".

De acordo com a justificação avançada pelos deputados do CDS-PP, o pedido de audição prende-se com o facto de o ministro da Cultura, ao tomar posse, ter prometido "fazer mais e melhor com menos meios do que a sua antecessora", sendo que, passado quase um ano após iniciar funções, “esse objectivo está longe de ser atingido".

A falta de apoio do Ministério da Cultura às galerias portuguesas, que pode pôr em risco a presença de Portugal na ARCO (Feira de Arte Contemporânea de Madrid), a realizar em Fevereiro na capital espanhola, e o desconhecimento de quem vai representar Portugal na Bienal de Veneza (Itália), que começa em Junho, são duas das principais “preocupações" do CDS-PP.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Sociedade Portuguesa de Autores paga 2 milhões e reintegra funcionários

Sete ex-funcionários reintegrados na SPA
Depois de o Tribunal do Trabalho ditar uma indemnização histórica à ex-adjunta da administração, demitida em 2004, eis que o Supremo aplica mais um golpe nas contas da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), ao condenar a instituição a reintegrar sete trabalhadores.


O caso remonta a Dezembro de 2004, quando a SPA dispensou sete funcionários (sobretudo) administrativos, por despedimento colectivo, alegando extinção de funções. Agora, após o recurso para a Relação e para o Supremo, este último ditou sentença: a SPA tem de pagar os salários devidos pelos quatro anos em que os funcionários não receberam, bem como reintegrá-los, o que aconteceu na passada quarta-feira.

"Os sete funcionários já estão reintegrados e em funções efectivas", confirmou ontem ao CM José Jorge Letria, vice-presidente da SPA. Quanto aos salários em falta, "[os 550 mil euros] serão pagos por via normal, pelos Recursos Humanos e não haverá salários em atraso", como garantiu José Jorge Letria, lembrando que a "SPA tinha já este valor em provisão".

O mesmo se passa quanto à indemnização a Catarina Rebello, ex-adjunta da administração, que, como o CM ontem noticiou, tem a receber, por despedimento indevido, cerca de dois milhões de euros. "É um valor exorbitante que muitos especialistas consideram invulgar", diz Letria. A SPA já recorreu para o Tribunal da Relação.

Esta noite, às 20h30, o plano de orçamento para 2009 vai a discussão em assembleia geral e Letria diz-se preparado para vozes discordantes. Afinal, como o próprio vice-presidente da SPA admite: "Estes valores [a juntar ainda ao acordo extrajudicial de cerca de 190 mil euros com o ex-presidente Luiz Francisco Rebello] penalizam a instituição e o próximo ano será de contenção."
(in_publico 23/12/2008)

domingo, 4 de janeiro de 2009

"Portimão" derrapa com o seu teatro

Teatro custou doze milhões

Cinco anos após o início das obras, nas quais foram investidos 12 milhões de euros, o TEMPO – Teatro Municipal de Portimão, no antigo Palácio Sárrea Prado, abre finalmente as portas ao público. A inauguração oficial está marcada para a próxima quinta--feira, dia 11, coincidindo com as comemorações do Dia da Cidade.

O projecto de arquitectura foi entregue a Troufa Real em 1999. O concurso para a obra foi lançado em 2003, mas os trabalhos, iniciados no ano seguinte, passaram por várias vicissitudes. Pararam quando foi necessário refazer a fachada do imóvel oitocentista. O investimento previsto triplicou.
(in_expresso 06/12/2008)