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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Encenaria o caso do Banco Privado Português no teatro?

Rui Madeira, director artístico da CTB a e Administrador do Theatro Circo de Braga, diz que José Sócrates tem de parar de pedir Se a realidade supera a ficção, ele, actor e encenador, desculpa por ter sido apanhado a fumar ou pelos votos de Manuel Alegre.di-lo com frontalidade: "Somos um país de donas brancas. Púdicas, ainda por cima". Rui Madeira vive em Braga, ali a um passo da Europa.

Votou para as eleições Europeias?

Obviamente.

No candidato da "roubalheira"?

[Risos] No Vital Moreira, sim.

Perdeu. Ficou desapontado?

Perdi, mas não fiquei desapontado. O engenheiro Sócrates começou a perder no dia em que pediu desculpa por ter sido apanhado a fumar. A partir daí, entrou num esquema que era só pedir desculpas. Desculpa por ter um bom ministro da Saúde e demitiu-o. Desculpa a Manuel Alegre por ele ter tido um milhão de votos, quando esse milhão serve para tudo menos para o Benfica ganhar o campeonato. E perdeu também aí. Trama-se sempre que pede desculpa. Tem que parar de pedir.

Acha que o PS ainda pode ganhar as eleições legislativas?

Espero que ganhe. O PS perdeu as europeias, mas o PSD não as ganhou. Quem ganhou foi o Alegre.

Mas porquê? Vê o poeta Manuel Alegre como um traidor do PS?

Não tenho esses pensamentos [Risos]. Acho é que ele conduz um enorme autobus, que faz ali o percurso entre as esquerdas todas, e isso não contribui para a clarificação da situação política.

Paulo Rangel, além de vencedor, foi mesmo o político revelação desta ronda eleitoral?

Acho que sim. Tenho simpatia pela sua figura intelectual. Os cidadãos deviam perceber que há cada vez menos gente interessada em sofrer a crucificação na praça pública só porque está disponível para servir a causa pública de peito aberto.

A que distância está Braga, onde vive e trabalha, da Europa?

Muito próxima. Há pessoas que estão no centro da Europa e continuam provincianas e pessoas do Gerês que têm um olhar muito concreto sobre o que valem e o que vale a Europa para eles.

Mário Soares manifestou-se contra a reeleição de Durão Barroso na presidência da União Europeia. Que sentido faz agora?

Tenho profundo apreço por Mário Soares, como tinha por Álvaro Cunhal ou Lucas Pires, como tenho por Adriano Moreira. Fazem falta pessoas com liberdade para dizer o que pensam. Se o PS tivesse ganho as eleições teria direito a exigir outro presidente; assim, não... Acho graça à atitude do Sócrates ter dito: "Porreiro, pá!"

Não nomeou Cavaco Silva no rol de pessoas que preza, apesar de ter estado com ele em Santarém no 10 de Junho. Não ficou solidário quando o ouviu dizer que está a perder o dinheiro das poupanças?

Essa intervenção dele foi desastrosa. Só tem paralelo com a altura em que era primeiro-ministro e veio dizer que na sua residência oficial não tinha construído um tanque. Representa a mentalidade típica dos portugueses: o medo de assumir coisas. Foi a pior prestação que poderia ter feito a Manuela Ferreira Leite. Numa altura em que se discutia a relação do BPN com o PSD, foi um tiro nos dois pés dela. Em compensação, gostei que tivesse vetado esta semana a proposta para aumentar o financiamento dos partidos. Se passasse, seria um escândalo.

Ferreira Leite recuperou desse tiro depois da vitória nas europeias?

Não, porque ela não é vencedora. A abstenção foi muito alta e os votos que o PSD teve são quase iguais à derrota de Santana Lopes nas outras eleições. Pode até ser que isto crie dinâmicas e expectativas, mas da leitura crua dos números não saiu uma vencedora.

Encenaria o caso do Banco Privado Português (BPP) no teatro?

Era capaz. Os portugueses deviam ter direito, de graça, ao livro do seu ex-presidente, João Rendeiro. Como o próprio nome indica, Rendeiro rende. O problema é que isto é um país de donas brancas e ainda não as conhecemos todas. Donas brancas púdicas, ainda por cima.

Acha bem que o Governo tenha anunciado esta semana que lava as mãos do caso BPP?

Acho bem que lave as mãos, porque ali já há demasiada gente com as mãos sujas. Aquilo é um problema de tribunal, não é coisa para os contribuintes pagarem.


in_JN


quarta-feira, 15 de abril de 2009

"Ser actor significa nada"









 "O que significa ser actor em Portugal?".

Seis profissionais de diferentes gerações responderam ao repto lançado pelo JN, desfiando um rosário de queixumes.

Apesar de a amostra ser demasiado pequena para se poder generalizar conclusões, é um facto que os nossos interlocutores olham para a arte com pessimismo. A falta de apoios e o carácter intermitente do exercício da profissão são realidades lembradas, ainda que nem sempre de forma explícita.

"Significa o mesmo que em qualquer parte do Mundo. A língua muda, mas as características são muito iguais. Acontece é que há países onde os actores talvez tenham de lutar menos", afirma Eunice Muñoz, 80 anos, actriz desde os cinco. No seu entender, é errado pensar-se "que em Portugal é tudo muito mau e que lá fora é tudo muito bom".

A actriz fundamenta tal convicção com exemplos que lhe chegam de países como Inglaterra, onde "há jovens actores a fazer tournées em que, praticamente de 15 em 15 dias, têm de representar uma nova peça". "Isso é trabalho precário, cheio de vícios", acrescenta.

Reconhecendo que "ser actor é difícil e mais difícil ainda num país como o nosso, em que a cultura é sempre o irmão pobre", Eunice Muñoz consegue, ainda assim, encontrar aspectos positivos no panorama actual: "Ultimamente, tem aparecido um conjunto de actores que trazem muita esperança. E a luta só não é mais difícil na medida em que existe a televisão, que lhes dá a possibilidade de ir ganhando a vida".

Visão claramente pessimista tem António Durães. Nascido na Figueira da Foz, vive em Braga e, de momento, faz parte do elenco de "Transacções", em cena no Teatro Maria Matos, em Lisboa. Ainda dá aulas de interpretação no Porto. "Ser actor, nesta altura, significa nada, quase", diz.

Para explicá-lo, Durães recorda que, em 1985, ano em que terminou a formação (curiosamente, em Évora), era necessário percorrer uma série de etapas para se exercer a profissão e para se ter carteira profissional, que era sempre exigida. "Hoje, é necessário nada de nada", afirma o "free-lancer", sublinhando que isso "desprestigia profundamente a classe".

É nesse sentido que contrapõe o esforço com que os seus alunos trabalham às exigências para o ingresso no mercado de trabalho: "Estão a disputar lugares com gente que vem das "passerelles", por exemplo, ou com o primo de não sei quem". Concluindo que o mercado é "vagamente capitalista, mas selvagem", refere ainda que "distribuir subsídios curtos pelas aldeias todas não faz sentido nenhum". A sua conclusão é incisiva: "Este país não merece os profissionais de teatro que tem".

Em tom poético mas carregado de ironias, Emília Silvestre, da companhia Ensemble, do Porto, começa por responder à questão deste modo: "É acreditar, para além do razoável, que estamos a construir um país melhor". "Respirar fundo, erguer a cabeça e seguir em frente" são os remédios para as muitas contrariedades.

Desde logo, "lutar contra o princípio de que tudo tem de ser mercadoria", quando os actores são "alimento para as almas", ou, ainda, "chorar de raiva com a indiferença cega dos sucessivos poderes políticos". Ser actor, pelas suas palavras, é também sinónimo de revolta "contra a rede pública de teatros que não funciona, sujeita como está à logicazinha pessoal dos programadores".

Fernanda Lapa recorre à imagem do farol visto do mar para melhor definir o estatuto de "intermitentes" que têm os actores. A directora artística da Escola de Mulheres, em Lisboa, lembra que as novas gerações acabam os cursos e "logo são confrontadas com a inexistência de estruturas de acolhimento e de apoios sólidos à cultura". Mas refere que os mais antigos "sofrem do mesmo mal". "É todo um património cultural riquíssimo que fica ao abandono", conclui.

"Ser actor em Portugal, como em qualquer parte, pressupõe uma enorme paixão, dedicação, muito trabalho e espírito de sacrifício", é a opinião de Diogo Infante. O actor e director artístico do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, refere que, apesar de a oferta teatral ter aumentado, "o audiovisual continua reduzido a meia dúzia de filmes por ano, a menos de meia dúzia de séries televisivas e a uma mão cheia de telenovelas".

Diogo Infante diz ainda que o actor "enfrenta um mercado competitivo e por vezes cruel, onde a imagem tem um peso cada vez mais significativo e por vezes redutor". Por outro lado, salienta que "a percepção da comunidade em relação à profissão de actor mudou com os anos", tornando a classe "mais apreciada e respeitada".

No caso de Catarina Lacerda, co-fundadora da cooperativa cultural Teatro do Frio, no Porto, exercer a profissão significa "fazer muita coisa num curto espaço de tempo". "Se a minha pretensão fosse viver exclusivamente como actriz, seria complicado, até porque me obrigaria a aceitar trabalhos com os quais não me identificaria", diz.

Por isso, encontra solução na "periferia da actividade", dedicando-se ainda à formação, às parcerias e às colaborações com outros domínios. O que lhe permite assumir-se "como criadora e não apenas como intérprete".

(in_Quarta parede feed/JN 15/04/2009)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

“Estão a rodar filmes que são pornográficos”



Margarida Gil, Presidente da Associação Portuguesa de Realizadores.

P: A Associação Portuguesa de Realizadores reuniu [ontem] porquê?
Margarida Gil: Passado um ano sobre a nomeação do ministro da Cultura, e após lhe termos enviado, a seu pedido, propostas para o cinema, ainda não obtivemos qualquer resposta. Além disso, exigimos a demissão da direcção do ICA (Instituto do Cinema e Audiovisual) que não nos merece confiança.
P: Em que aspecto?
MG: Através do FICA (Fundo para o Investimento no Cinema e Audiovisual) estão a ser rodados filmes sem realizador, que são verdadeiramente pornográficos (‘Second Life’), falados maioritariamente em inglês (‘Arte de Roubar’), financiados com dinheiros públicos. O cinema está degradado a um ponto inqualificável.
P: Além do pedido de demissão do ICA, como reagirão à falta de respostas do ministro?
MG: Posteriormente, redigiremos um texto para enviar a figuras que percebam do que estamos a falar, seja ao Presidente da República ou a figuras internacionais, já que fazemos parte da Federação de Realizadores Europeus. Estamos envergonhados com o que se passa nos ecrãs portugueses.
(in_correio Manhã 08/02/2009)

sábado, 10 de janeiro de 2009

Porque é que Manuel Portela se demitiu do TAGV













O ex-director do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) explica em entrevista a A Cabra, ontem publicada, as razões que o levaram a apresentar o seu pedido de demissão, há cerca de duas semanas.

Admitindo não ter conseguido que o TAGV "merecesse a atenção daqueles que têm o poder de decidir", Portela relembra a situação de "sub-financiamento crónico" que tem afectado a principal sala de espectáculos da cidade e acusa o Ministério da Cultura e a Câmara Municipal de Coimbra de discriminarem de forma "ostensiva" o Teatro e de não reconhecerem "o serviço público prestado pelo TAGV" - desde 2006, recorda, a programação desenvolvida não teve qualquer apoio destas instituições.

No caso do Ministério da Cultura, Manuel Portela lamenta que o TAGV não possa beneficiar de apoios idênticos aos que têm sido atribuídos a salas congéneres noutras cidades do país. No que diz respeito à Câmara Municipal de Coimbra, afirma: "a coisa mais inteligente que se oferece dizer ao seu presidente, frequentador assíduo do TAGV, é que a programação é má. Infelizmente, os dirigentes municipais que temos usam o poder de decidir como se fosse um privilégio pessoal e esquecem-se de que a sua função é imaginar o que é o bem comum e apoiar aqueles que, na comunidade, trabalham com esse objectivo".

A maior parte dos decisores políticos" - conclui - "são meros burocratas: o conteúdo artístico e a importância social dos projectos não lhes interessa verdadeiramente".
(in_Amigos da Cultura.Blog 09/01/2009)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Fantasporto - Entrevista a Mário Dorminsky

Instituto do Turismo reduz apoio ao Fantasporto

O Instituto do Turismo vai apoiar o Fantasporto com 50 mil euros, o que significa uma redução para metade do valor que, tradicionalmente, é atribuído ao festival de cinema do Porto.

A revelação da verba foi feita pelo director do Fantasporto, Mário Dorminsky, na passada segunda-feira, à Agência Lusa. O também vereador da Câmara de Gaia acrescentou que um técnico do Turismo de Portugal lhe teria garantido, em Novembro, que o Fantasporto podia estar "descansado porque pelo menos os 100 mil euros" iria receber. Fonte do Turismo de Portugal esclareceu ao JPN que não houve nenhuma promessa a nível oficial.

Dorminsky afirmou, também, que o festival poderia vir a ter de “desconvidar algumas pessoas” devido ao corte, quando faltam apenas três semanas para o início do evento, que começa no dia 25 de Fevereiro.

Em declarações ao JPN, António Reis, da direcção do Fantasporto, garante que não se chegará ao ponto de retirar convites que “já estão endereçados”, uma vez que a verba do Turismo de Portugal incide mais sobre os contactos com os meios de comunicação social estrangeiros. No entanto, é possível que os convidados internacionais fiquem na cidade menos tempo do que estava inicialmente previsto.

"Além de manifesta incompetência do instituto e da ignorância dos seus técnicos, parece haver um desprezo por uma iniciativa cultural do Norte, com provas dadas ao longo de 28 anos", disse Dorminsky à Lusa.

Presença em Cannes pode ser afectada
Também afectada poderá vir a ser a presença do Festival de Cannes. António Reis salienta que o Fantasporto é o único festival português com banca no evento da cidade francesa e funciona também como representante de Portugal.

O responsável do festival explica que o apoio do Turismo de Portugal se traduz numa parceria e não num subsídio ou patrocínio. António Reis lamenta que o anúncio tenha sido feito agora, tão "em cima da hora", mas assegura que o público do Fantasporto não vai sentir qualquer mudança no evento, nem a programação vai ser alterada.
(in_JPN Jornalismo Porto Net  09/01/2009)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

300 mil euros ou não vale a pena estar aqui...

Inês Pedrosa, directora da casa Fernando Pessoa falou ao Público:

P: A Casa Fernando Pessoa sempre vai ter o estatuto de fundação?
R: Sim, se for votado favoravelmente na câmara. Tratámos dos trâmites legais e o nome já está registado: Fundação Casa Fernando Pessoa. Os estatutos ficaram prontos e vou entregá-los a António Costa.
P: Isso muda alguma coisa do ponto de vista prático?
R: Imenso. Passamos a ter a gestão, a ter a caixa. Percebo pouco de política, mas sei que onde está o dinheiro está o poder. O contrato dos directores desta casa até tem escrito que não têm dependência hierárquica, fazem o que quiserem. É muito divertido, mas com que dinheiro? Enquanto não tivermos esse estatuto, o dinheiro que ganharmos, seja com iniciativas seja com merchandising - canecas, t-shirts, discos - não reverte para a Casa Pessoa, porque a lei não o permite, mas para a câmara.
P: Foi por causa de dinheiro que não conseguiu fazer as obras previstas para 2008?
R: Estava prevista a transformação da cafetaria num restaurante com duas esplanadas, mas chegou-se ao fim do ano sem se abrir concurso, apesar da nossa pressão: o departamento de obras da câmara é moroso. O que se revelou pior nestes dez meses foi a burocracia camarária - o tempo que as coisas demoram e o número de departamentos por que tem de passar.
P: Com que verbas pode contar este ano?
R: Quando entrei para a Casa, havia um orçamento de 15 mil euros, que depois o director municipal de cultura, Rui Pereira, aumentou para 35 mil. Converteu cem mil euros das verbas para as obras que não foram feitas em dinheiro para programação, o que nos permitiu fazer o congresso internacional dedicado a Pessoa. A isto há que juntar 70 mil que conseguimos de patrocínios das juntas de freguesia, da Leya e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Com esses apoios fiz o encontro de escritores dos dois lados do Atlântico Letras em Lisboa e filmes de dois minutos para a RTP. A ideia era passarem os filmes uma vez por dia, passaram várias. Deram-nos espaço mas não nos deram um tostão. No ano do 120.º aniversário do nascimento de Pessoa, a RTP tinha obrigação de fazer qualquer coisa. Assim como o Ministério da Cultura: não vi o que é que fez para comemorar ou ampliar o Pessoa este ano.
P: Numa crónica recente sua no Expresso, intitulada Para acabar de vez com a cultura, percebe-se que discorda de a autarquia ter encomendado a sua estratégia cultural ao Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).
R: Sou contra, de facto. Há gente suficiente e de qualidade na câmara para o fazer. Discordo que se gaste 80 mil euros a comprar um programa cultural que devia ser a vereação da cultura a fazer. Mas a crónica era mais abrangente: pode ser que o ministro da Cultura tenha um projecto de revitalização cultural do país - as coisas demoram tempo -, mas até agora não se tem visto nada.
P: Que orçamento vai ter para o ano que vem?
R: Ainda não sei. Apresentei um orçamento ideal de 1,1 milhão de euros e um realista de 600 mil. E fiz saber ao presidente da câmara que, com menos de 300 mil, não vale a pena estar aqui - poupa o dinheiro de um director e mantém a casa aberta com o pessoal que cá tem, que é óptimo. Não vou andar a pedir favores aos meus amigos [para poder ter iniciativas sem custos]. A digitalização dos livros da biblioteca de Pessoa está a ser feita de borla. Quando se mostra serviço não me passa pela cabeça que isto não seja reconhecido, e sei que vai ser.
P: Se tiver menos de 300 mil euros vai-se embora?
R: Vou tentar arranjar o que falta, primeiro junto de empresas. Sei que o orçamento está muito curto, mas há a possibilidade de nos candidatarmos às verbas do casino e do Turismo de Lisboa. Gostaria que a TAP se tornasse nossa patrocinadora oficial. Mas há quem veja isto de forma política: não apoiam porque não gostam de António Costa, ou porque temem que ele seja substituído por Santana Lopes.
P: Chegou a fazer um ultimato a António Costa por causa do orçamento?
R: Não fiz ainda nenhum ultimato. Ele disse-me que arranjava os 300 mil euros.
(in_publico 16/12/2008)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Isabel Pires de Lima responde ao Ministro...

Ex-ministra critica Orçamento e estranha críticas

A ex-ministra da Cultura Isabel Pires de Lima defendeu que o Governo deveria dar mais meios orçamentais à cultura e disse estranhar as críticas que o seu sucessor lhe tem dirigido nos últimos meses.
«Acho mal que não haja um entendimento por parte do actual Governo que têm que ser trazidos mais meios, mais força orçamental para a cultura»

A actual deputada socialista lembrou que, nos últimos cinco anos, o Ministério da Cultura assumiu responsabilidades adicionais, como a Casa da Música ou o Museu Berardo, apesar de ter um orçamento «tão exíguo».

O Orçamento do Estado para 2009 prevê para as despesas do Ministério da Cultura 212,6 milhões de euros, uma descida de 2,3 por cento em relação à execução orçamental de 2008 (217,7 milhões de euros).

Em Outubro, o actual ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, disse à Lusa que apesar destes números o orçamento regista uma «variação positiva de 0,4 por cento», dado que o orçamento inicial de 2008 era da ordem dos 211 milhões de euros, tendo havido um reforço de seis milhões por parte do Ministério da Finanças em função da «rigorosa» execução orçamental.

«O ano passado houve um afogadilho, coisas que levaram a que o orçamento não fosse feito com grande rigor e com grande perfeição«, apontou.

No passado fim-de-semana, em declarações ao Expresso, Pinto Ribeiro referiu que não está satisfeito com o Orçamento e criticou os seus antecessores alegando que, em sete anos, »o Ministério desperdiçou 260 milhões de euros«.(ver esta notícia)

«Durante esse tempo deram-lhes imenso dinheiro. Mas orçamentaram mal e executaram ainda pior», disse, citado pelo semanário.
Isabel Pires de Lima disse que estranha essas críticas e que o Ministério da Cultura não tem falta de credibilidade.

«Estranho essas críticas tratando-se de um ministro de um Governo ao qual eu pertenci e estranho essas críticas à execução orçamental que atingiu em 2007, o último ano em que estive responsável, 98 por cento, afirmou a deputada do PS.

«O Ministério da Cultura só tem falta de credibilidade para quem não enquadrar a sua acção dentro da dimensão orçamental que tem sido atribuída ao ministério«, disse ainda a ex-ministra convicta de que »a cultura vai ter cada vez mais espaço na governação europeia«.

Isabel Pires de Lima, que deixou o Governo no final de Janeiro, numa remodelação governamental que abrangeu também o Ministério da Saúde, afirmou que não saiu zangada.
«Não saí zangada, apoio este governo», referiu a antiga ministra considerando também natural que um outro ministro queira dar orientações distintas no ministério que herda.

«O novo ministro estabeleceu algumas prioridades que não eram as minhas. Deixou cair uma das minhas prioridades que era uma política activa de descentralização, valorizando mais uma política de Língua«, apontou.

Em relação ao Acordo Ortográfico, que o actual ministro tem defendido, a ex-ministra voltou a manifestar reservas.
«Eu tinha reservas quando estava no Governo e continuo a ter reservas, sobretudo porque acho que este acordo é péssimo do ponto de vista técnico, é um acordo que tem erros técnicos», disse.

(in_Diário Digital / Lusa 19/11/2008)

sábado, 8 de novembro de 2008

Ricardo Pais sai do S. João e...

Ricardo Pais acusa o Governo de não ter projecto cultural para o país.

Ricardo Pais admitiu que "O Mercador de Veneza" será a sua última encenação como director artístico do Teatro Nacional S. João (TNSJ). O actual presidente do Conselho de Administração do teatro critica os governos de José Sócrates pela "inexistência de um projecto cultural para o país" e acusa o PS de "fazer sempre a política que permite ao PSD vir a seguir fazer terra queimada das principais conquistas".

Apesar de considerar que o problema das políticas culturais "é internacionalmente grave" - "em França, os paradigmas estão a cair, pelo descaramento e pela habilidade de um político de facto fracturante como o Sarkozy, para dar apenas um exemplo do que é uma espécie de Pedro Santana Lopes a sério" -, Ricardo Pais sublinha que a questão se põe de maneira particularmente aguda em Portugal, que ainda não assumiu o apoio à criação como "missão nacional". "Isso tinha que ser feito como parte de um projecto cultural para o país: não tenho visto esse projecto nestes últimos anos, e não o tenho visto seguramente nestas governações", afirma.

O "baixíssimo tecto orçamental" que o Ministério da Cultura disponibilizou para 2009, diz o director do TNSJ, obrigou ao cancelamento de parte da programação do próximo ano, apesar das expectativas de agilização financeira criadas pela passagem do teatro a Entidade Pública Empresarial (EPE): "Precisamente por ser o primeiro ano em que nos inscrevíamos nessa coisa pomposa e aparentemente eficaz a que se chama sector empresarial do Estado, eu esperava que fosse finalmente a temporada a sério e tinha posto nela um gosto todo particular, desenvolvendo vias de trabalho muito importantes, algumas das quais deixámos cair completamente". A esta distância do final do ano, o S. João não sabe sequer, de resto, se pode contar com parte do financiamento inscrito no orçamento para 2008, acrescenta Ricardo Pais: "Vale a pena perguntar para que é que existe um sector empresarial do Estado que em Outubro ainda não sabe que dinheiro tem para o ano em curso".

Apesar de não ter medo da sucessão - "já me aconteceram coisas piores: a Agustina Bessa-Luís sucedeu--me no [Teatro Nacional] D. Maria II, não tenho medo de nada" -, o director do S. João gostava de contribuir para a alteração do regime de acesso à direcção de instituições como o TNSJ e defende a figura do "concurso limitado" para que se possa "chegar finalmente à transparência democrática". 
Sobretudo depois do que se tem visto no D. Maria, onde, resume, "o Governo conseguiu estar à altura do próprio Carlos Fragateiro na maneira como o exonerou" com um despacho "ignóbil".

(in_publico 02/11/2008)


(MONO)CULTURA sugere entrevista completa:
-Ricardo Pais: “A minha vontade já é de me afastar há muito tempo”

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Os direitos de autor travam os investimentos na indústria criativa

O fundador das licenças Creative Commons, Lawrence Lessig, veio a Lisboa celebrar o quarto aniversário das CC e dizer que, enquanto o regime tradicional de direitos de autor não se reformar, novos negócios criativos na Internet estão inibidos de nascer. Avança estimativas de 15 mil empresas que estarão nestas condições.

(in_publico)





(MONO)CULTURA recomenda entrevista completa: